quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Do teu quarto sujo.



Teus olhos. Calmos olhos verdes em que me perco. Calmos olhos verdes do nosso mar. Eu mal saberia dizer quando, e em que momento exato eles me fisgaram. Talvez desde um sempre que não demorou a nos abraçar, e carregar pelo colo a um infinito de abraços verdes, como teus olhos. Por hoje me bastam umas lembranças cheirando a um Dolce Gabana do teu quarto sujo. Do teu mundo impuro em que mergulhei de cabeça.

Como no verde do nosso mar.



"Vem
Eu só sei dizer
Vem nem que seja só
Pra dizer adeus."

Pra dizer adeus, Edu Lobo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

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Os seus beijos são ardentes.
Quando você se aproxima o meu corpo sente.


Deusa do Amor, Olodum.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Breve Infinito.

I

Teus dedos me tocam como se quisessem desvendar todos os mistérios do mundo em minha pele. E eu os guardei em mim, para serem os motivos dos seus retornos, já que eu nunca soube, para onde voava.

Como cuidar do jardim para que as borboletas voltem.

II

É verdade que eu sempre penso em criar uma rotina para nós. E é natural. E você foge pelos cantos que eu não alcanço. E foge sorrindo promessas de retorno ao sadismo dos meus abraços. E onde você retorna, eu viro infinito. Breve infinito de olhares brilhantes vazios. E o teu sangue que me percorre congela. Eu volto a ser só.

III

Já é noite, e os meus ouvidos clamam impacientes seus gemidos de orgasmos incansáveis. Eles me cansam. Outro gole de um vinho barato para a ressaca ser maior. Durmo. Acordo. Durmo, acordo! É de manhã, Bethânia diria naquele vinil. É de manhã, e o céu me acordou sem tempestade. Eu retribuo. Enquanto não anoitece, a gente não padece.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Com tons fortes e vibrantes de amarelo e azul.



Acendo um cigarro, e lembro. Na minha memória, posso lembrar de qualquer coisa. Mas escolhi lembrar o meu jardim de infância, enquanto me divido ouvindo Patrick Swayze sussurrando She’s Like The Wind, ou Raul Midón me (en)cantando Waited All My Life, e Vinicius, em meu Samba de Prelúdio. E Vinicius sempre me traz essas lembranças. Mas isso não te interessa. Apenas as minhas lembranças de uma criança no seu (temido e feliz) jardim de infância.

Certa vez, naquela escolinha de paredes coloridas, jardins coloridos e bem regados, e pessoas amáveis, a idéia do exercício era bem divertida. Desenhar e colorir, elementos que representavam cada estação. Eu não gostava de desenhar, mas colorir sempre foi o meu forte. O que eu quero te dizer, é que eu devo ter sido enganado. Eu sempre colori o meu verão, com tons fortes e vibrantes de amarelo e azul. Um céu azul forte e vibrante. Um Sol amarelo forte e vibrante. É que hoje, meu amor, é o décimo sexto dia do primeiro mês do ano. Um sábado de janeiro, que em situações normais de existência, deveria estar colorido com esses tons que a minha lembrança torna tão feliz.

Mas não esta. Eu poderia supor que o meu vazio e cinza internos, ganharam força e vitalidade tamanha, que foi capaz de se tornarem físicos, nesse pouco de frio que faz, e nesse tom cinza que cobre o ambiente em que eu estou sozinho. Eu poderia supor, se eu acreditasse nisso. E o meu sábado de verão feliz e colorido, se esvaiu como você. Foi levado para um lugar distante em que você esteja, e que certamente, é um horizonte estampado com o meu Sol e céu vibrantes. Que você roubou, assim como o ar, as roupas, a sanidade, o pudor. E o amor-próprio.

Acho que o que me resta, é banhar-me nesse mar de lembranças quase fétidas e loucas, enquanto tudo se embrulha aqui dentro de mim, onde eu te abriguei.

Que o meu Sol volte amanhã. Que o meu céu seja cada vez mais azul. Que você não se perca, não se esqueça do seu abrigo. Que os meus pés sejam guiados à paz.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pra não faltar amor.

Blog novo no ar, com a mesma intenção de sempre.
Que não nos falte amor.
Recomeçando com poesia.


Conspirar.

Essa malicia revela em mim o que encanta
E teu corpo no meu vira dança
Onde eu descanso em teu silêncio alguma dor e vazio
E em teu descanso me sobe um arrepio:
Desejo inquietante!
Em que em algum instante – entre o amor e o ódio
A chama desperta do ócio
E procura teu jeito de ser,
Para ser amor, sonho e desejo
Onde o encontro sintetiza em calma
Onde o corpo exala vertigem
E a libido, uma origem incerta.
Em sigilo, confidencio uma dose de paixão - que é também oferta
Ao teu bem-querer que é instinto
De um outro querer bonito
Do meu olhar soerguido
Sobre a amplidão que o destino reserva:
Para nós, e sobre tudo o que somos.
E nem mil astrônomos entenderiam,
Nem mil estrelas brilhariam
O teu sorriso eloqüente
Você, indecente, tentaria entender
Ou uma, ou dez, ou mil vezes
Os reveses do meu querer
Para o céu perceber
E conspirar por nós.