terça-feira, 29 de junho de 2010

vago e prolixo.

oitavo dia de inverno, e lembranças que aquecem e excitam. E eu também sou poesia. Posso caminhar poucos metros, e me deparar com o mar da Ribeira, e todas as pessoas que passam por lá, e a chuva que o beija nesta manhã.

Sela-se o amor, e sagro-me poeta.

Mas ao mesmo tempo, descaminho vago e prolixo. Às vezes sem saber chegar, às vezes leve, com passos sem rumo e breves. E sempre metamorfose. Pois tudo muda, e o universo conspira. É! Eu me apego a misticismo. É fé, e fé meu caro, é incontestável.

E pode chover. Sei ser inverno e verão. O resto não.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Nada além de um súbito desabafo.

Isolado e sem mistérios. Talvez desmemoriado. Mas sempre adiante. Pra frente é que se anda, desde os primórdios até hoje em dia. Procuro em qualquer canto gotas de encanto. E onde está tudo, Deus do céu?

Meu céu tão azul, e eu custo a acreditar. Pois neva tanto aqui dentro. Inverno e lamento.

Meu tempo enruga-se e passa despercebido. Ou se me grita, eu não ouço.

E tempo é dom.


P.S.: Nada além de um súbito desabafo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Desabafos de Outono IV

Por Vitor Andrade

Sim! Eu não queria confessar a minha languidez ao partires. Rotas infinitas, rumos desconhecidos. E eu aqui. Contínuo. Estático. Perdido em meio a esses sussurros baixos de despedida, para não acordar as folhas mortas de outono que decoram a paisagem.

Depois o silêncio. Esse me soa limpo, constrangedor, imortal. Pudera eu renegar todas as lembranças, todas as linhas tortas enquadradas por nossos passos rumo a qualquer horizonte feliz. Mas os dias correm nas esteiras do tempo, as glórias se perdem em algum canto. Tudo um dia vira uma lembrança vazia. E eu sou um infinito delas. Um relicário de nostalgias sem fim.

Queria eu, que num colapso de vanguardismo derramasse sobre as horas todas essas saudades. De tão gritantes, parecem mal resolvidas.

Mas são apenas saudades gritantes. E eu falo delas como respiro.

É que é elas me abraçam e fazem morada.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

amantes, sorrisos e plenitudes.

Por Vitor Andrade

eis que aqui eu me encontro. No mesmo instante de antes. De amantes, sorrisos e plenitudes. Eis que eu não sei não te amar. Eu tento, e tento, e tento: sempre em vão. Nesse canto, a solidão do quarto frio, e o intimo vazio. Meu silêncio é meu pudor gritando, berrando alto aos quatro ventos. Sussurrando em seu ouvido. Encontro pelas ruas milhares de rostos, e não saberia amá-los. Nenhum que não fosse o seu. Quisera eu, adormecer nessa perfeição que te cobre feito manto. Essa voz que é meu canto, e me guia por onde insisto caminhar. Esse instante em que o palpitar me eterniza, tua ausência antecipa as lágrimas em mim. Assim, sou como vento que vaga sem rumo. Mas trago em meus olhos a luz de te lembrar, e aonde quer que eu vá, tem a imensidão do teu sorriso transformando em paraíso.


Ao som de "Seu Olhar", de Seu Jorge.