sábado, 24 de abril de 2010

Desabafos de Outono III

Deixo o dia ir embora. A casa se descolore dos tons solares do dia, e a solidão pede permissão para chegar. E eu deixo que ela fique. O som suave do vento batendo nas folhas, e Chico me contando seus segredos lindos, e indecentes. É tudo quase sempre escuro na sua ausência. Uns gritos chegando do mundo exterior me fazem lembrar a felicidade. O meu mundo é outro.

Deixo o dia ir embora. Calmo, sereno, com a obrigação cumprida. Deixo que vá, que venha a noite, e o céu-infinito de luzes estrelares. Nada sobre mim, além do vão do espaço da casa vazia de sentimentalidades. Faz frio aqui dentro, nessas noites de outono. Você me ensinou a abraçar a saudade como amiga. E eu a abraço, para que ela me maltrate com luxo, e certa simpatia. Nem wiskhy, nem cigarro, nem mais Chico. Quero a sobriedade desse momento, e a eternidade do pensamento bom em você. Só os versos, as pontes construídas entre os nossos quase olhares, e um dia de outono que chega ao fim. Em ti, em mim, aqui! Nessa sala que conhece nossos passos.

“Alguma dor? Talvez sim! A luz nasce na escuridão!”

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Desabafos de Outono II


Eu posso te enxergar nos meus braços de novo. Te sentir na malemolência dos nossos corpos brincando nus e puros. São esses os sonhos e os planos que eu não mais possuo. Eu procuro abrir os olhos e enxergar o Sol brilhando numa nova estação mais feliz e sorridente. Mas é ainda tudo outono em meu peito. Ligo o rádio, e toca aquela música que você me ensinou a gostar. No carro, na rua, aqui dentro. Me persegue, e é cruel te enxergar assim, e te ver feliz. Querer descansar desse amor que me suga parece ser em vão. Me calo e aceito a condição que o destino me impôs. Perdi as forças para lutar, e saio de cena, entregando os pontos, na mais humana das fraquezas. Que reflita em mim o brilho dos teus olhos ao acolher o amor em teu corpo, para que eu siga mais leve. Teu corpo mais leve.


"Mais leve que o ar. Tão doce de olhar. Que nenhum adeus pode apagar."

ao som de 'Deixar Você' (G. Gil), 'Waited All My Life' (R. Midón), 'Pra te Lembrar' (C. Veloso), e 'Tudo Pode' (Tamy).


sábado, 17 de abril de 2010

Desabafos de Outono I

Ah se eu pudesse me perder pela noite. Se eu pudesse encontrá-la em cada vão sentimento são, em cada estação, disfarçada pelos perfumes delas. Como a sina que o acaso prepara e guarda. Um mistério oculto nas palavras soltas ao vento, deslizando no caminhar suave do seu vestido florido cobrindo um corpo bronze. O tempo, o sonho, o gosto, latejam na memória implacável. Algo que desconhecemos, e soa como música. Nos embala, e somos cúmplices de um destino preparado pelo entorpecido calar da noite em que brincamos. Você aprendeu o caminho, e sempre visita meus sonhos. Sei te acalentar no sossego dos meus braços, guardando o desassossego do seu coração palpitando em ritmos vibrantes de me ter por perto. Em paz de um sorriso infantil. Desfeitos os descaminhos.

E vamos juntos!


quarta-feira, 14 de abril de 2010

E o que vier para nós dois, será bem vindo.

Eu não saberia esboçar a saudade em meu corpo alvo e seu, e nem fidelizar em mim os seus instintos saudáveis que eu incorporei como sendo uma forma de te trazer no silêncio dos meus pensamentos. Pelo que você é, e se estende em mim, e toma o tempo, o corpo, o intento, o gosto, e tudo mais ao redor. Claro como a pluma que te cobre à noite. Me avisa que o teu olhar ao chegar, chamará o meu nome, com essa voz que é música aos meus ouvidos, e meu corpo dança livre. Eu tenho todas as suas faces. E os meus olhos-solidão se esvaem no tempo ausente em nós. Como parte de um vicio, o ópio que eu agarro, e defendo. Nada novo, e nem que você não saiba. Pois eu grito aos quatro ventos dessa tempestade que nos cobre. E assim a gente vai, compreendendo as mágicas do universo que age em nós dois. Como se eu pudesse tocar no infinito, e te entregar o prazer de saber um futuro bom.

E o que vier para nós dois, será bem vindo.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Num gosto de quase imortalidade.

Meu corpo empolou – se do suor dos teus poros. E despiu-se da pele errante e latente. Transcendeu em níveis serenos de êxtase. E tudo se esvaiu, como leite derramado a longo alcance. E o meu corpo desconheceu prazeres maiores, e amores maiores, e outros sonhos. Tudo vinha daí! Esse canto de mundo que eu chamo de amor. Esse gosto profundo de despudor. Esse ser que meu corpo reconhece como meu. Não mais silêncio e adeus.

Esse beijo que me envaidece, me faz menos humano, num gosto de quase imortalidade. Somos vitais!

Prolongo a minha vida na saudade que eu pressinto. Vaidade nua e crua, que pura, desata nossos nós, e somos antes, e acima de qualquer coisa, liberdade. E eu grito, e danço ao vento, e vou sem rumo...

Pois chego sempre em você.